Elisa Fernandez

Relatos que conectam experiências pessoais e profissionais com o cotidiano, sempre de forma leve e envolvente, trazendo filmes, músicas e cultura como inspiração.


Empurrar a Desistência 2d5t

Empurrar um pouco mais a linha da desistência pode ser o começo de uma travessia transformadora, de vida! 1y1i4i

Tamara Klink, primeira mulher latino-americana a cruzar sozinha o Círculo Polar Ártico – Foto: Tamara Klink/Reprodução/InternetTamara Klink, primeira mulher latino-americana a cruzar sozinha o Círculo Polar Ártico – Foto: Tamara Klink/Reprodução/Internet

Caro (a) leitor (a),
“Se dar a chance de empurrar um pouco mais a desistência.” Foi com essa frase simples e imensa que Tamara Klink fisgou minha atenção durante sua palestra no South Summit Brasil, semana ada, em Porto Alegre.

Filha do navegador Amyr Klink, poderia muito bem seguir uma rota já traçada. Tamara escolheu criar a sua própria travessia — e fez isso a bordo de coragem, vulnerabilidade e propósito. Aos 27 anos, tornou-se a primeira mulher latino-americana a cruzar sozinha o Círculo Polar Ártico e ou oito meses completamente isolada em um fiorde congelado na Groenlândia. Temperaturas de -40 °C. Nenhum contato humano. Uma vida suspensa no tempo — e na coragem.

Tamara foi uma das palestrantes do Women’s Boat, um espaço flutuante (literalmente!) e simbólico, que reuniu mulheres para falar de liderança, expressão e protagonismo. Foi dentro desse barco — cenário perfeito para sua metáfora de vida — que ouvi o tipo de fala que deixa marcas.

“Não me sinto forte, nem corajosa, nem resiliente”, disse ela. E completou: “É o medo que me faz levantar antes do despertador, que me faz verificar mil vezes as cordas do barco, o risco de iceberg. Não quero ser forte. Quero ser honesta com o que sinto.”

Na era em que transformamos palavras como resiliência em troféus emocionais, Tamara nos lembrou que esse termo pode, muitas vezes, ser uma forma disfarçada de exigir que mulheres aguentem o que não deveriam. Ela nos convidou a refletir: será mesmo que queremos ser reconhecidas como resilientes? Ou estamos apenas nos adaptando para sobreviver em ambientes que ainda não foram feitos para nós?

Tamara começou sua trajetória na vela quase sem querer. Não teve apoio familiar no início, duvidava de si mesma, e não achava que conseguiria comprar seu primeiro barco. Mas foi aí que nasceu sua virada: ela decidiu se dar a chance de empurrar um pouco mais a desistência. Um gesto pequeno, mas que a conduziu a lugares aonde quase nenhuma mulher chegou antes.

Ela diz que não sabe definir liderança. Mas sabe, com precisão, o que é confiar profundamente nas escolhas da sua equipe — afinal, no mar, é a vida que está em jogo. É tudo muito real, muito direto. Não tem espaço para vaidade ou abstração.

A palestra de Tamara me tocou por isso: por mostrar que a vulnerabilidade não é o oposto da força — é parte essencial dela. Que se colocar no mundo com verdade é mais poderoso do que qualquer rótulo. E que empurrar um pouco mais a linha da desistência pode ser o começo de uma travessia transformadora, de vida!

Fiquei ali, pensando: e se a gente aplicasse essa lógica à vida? Ao trabalho? Aos nossos sonhos? E se você também se desse essa chance?

A menina — que, pela idade, poderia ser minha filha — e a mulher, que é uma inesgotável fonte de inspiração, me lembrou que grandes conquistas nascem justamente de quem não tinha tanta certeza assim… mas decidiu ir mesmo assim.

E você? O que tem feito para empurrar a sua desistência?

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